Nem toda a liberdade do mundo
Depois da tempestade são as memórias que constroem qualquer tipo de impossível.
Acordei enquanto o céu ainda estrelava e senti em boa parte do vento um vazio, mas que hora carregava uma espécie de liberadade que não se alimenta.
Ao estampar meus olhos no covil vi um cenário épico onde viviam falésias que chocavam-se aos prantos e nem mesmo todo o Pacífico era capaz de acalmá-las.
Olhando naquele pequeno universo abissal, vi meu resto refletir no contorno do céu, nunca havia me sentido tão grande e agora o céu virava o avesso.
O mundo recolhia-se em pó e profecia e colhia tudo de sí, era o início da mais longa tormenta. Plantei palavra no mar e colhi tudo que pude do vento, procurando garantir qualquer indumentária já improvável àquela altura.
Fui levado ao presente com um pensamento inócuo e me tornei desassossego, mas só até aqui.
Eu sei que um dia o Pacífico vencerá e as falésias poderão descansar do tamanho do próprio silêncio e eu vou descobrir que não existe nada que eu ame mais do que aquilo que eu já amei, porque amar não é um verbo infinito, eu acho que amar não será nunca mais um verbo.
