mar 17th 11
Posted by Guilherme Meneghelli in Mundo

É um alivio quando sobre nossos pensamentos só paira o céu.
É um sinal que o passado já passou e tudo que está por vir vem numa boa.
É também quando o melhor tempo é o presente e todo o resto é resto.
Quando tudo o que a gente faz de errado começa a dar certo, é porque estamos fazendo direito. Essa é uma forma de perceber que nem todo certo é certo!
Sempre que eu estou perdido, varro o passado e encontro alguns momentos preciosos. Fico um bom tempo nesses momentos, e o tempo passa. Quando acordo, geralmente é tarde demais, mas o trem que já passou também não interessava mais.
Acordar cedo e dormir tarde é sinônimo de vida, de ansiedade pela vida, que sempre está toda pela frente. Quanto menos a gente dorme mais a gente vive, e pode ter certeza que o pouco que sonha já é o suficiente. Não que a gente precise sonhar pouco, mas não da pra viver sonhando.
O passado, sempre que persiste em existir, é porque não se tem vivido no presente.
E o presente é a forma mais complicada de viver, não se vive o presente no ócio, não se vive o presente no passado, nem se vive o presente no futuro.
O presente é a dadiva de fazer as coisas no tempo delas, que é exatamente agora, todos os dias.
Todos os dias, também, vejo as pessoas desistindo disso, eu mesmo desisto disso de vez em quando, a gente demora pra perceber, mas percebe, e quando percebe não adianta correr atrás do passado porque o passado não vai mudar agora.
Agora só pode mudar agora, nem por isso precisamos fazer tudo hoje, mas precisamos fazer tudo!
mar 3rd 11
Posted by Guilherme Meneghelli in Mundo

Com o tempo, aprendi a amar sem carregar um antídoto comigo. Aprendi que amor não é doença e que, por isso, a gente não precisa se curar e também não precisa fugir dele. Levei um tempo pra entender algumas coisas, até porque é difícil compreender aquilo que não tem tamanho. E o amor é uma dessas coisas que não tem tamanho, por isso a gente pode ir muito longe. A questão é que ir longe assusta muita gente.
A vida é simples, mas saber viver a vida é difícil, ainda mais quando se procura algum significado pra ela. Eu tenho desistido dos significados e tenho me divertido mais. Aprendi a amar e não vou lutar contra nenhuma forma de amor.
Finalmente, aprendi que o amor não é um lugar no coração, é alguma coisa diferente e que não tem medo, que vive em lugar nenhum e que não para nunca.
jan 13th 10
Posted by Guilherme Meneghelli in Aforismos, Gravidade, Mundo, Pensamentos, Prosa

Sob a imensidão do eterno, um mar de estrelas cala o por-do-sol. É o incerto contando sua história em meio a grande floresta, esse lugar me faz crer que se tudo pudesse ser imaginado mais uma vez, tudo acabaria em nada.
O eterno fica em um lugar distante que termina diante de um precipício, ante um mar de tranquilidade e no tempo precipitado, sempre.
De tudo que eu já fiz nessa vida, certo foi tudo o que eu fiz e morto foi aquilo que deixei passar a toa.
Gosto de pensar em nada, de fazer tudo, de inventar espaço e liberdade. Espero, um dia, que a vastidão seja vivida com respeito, que os sonhos sejam despertados e que a noite seja mais presenciada. Que os santos sejam substituídos por planetas e estrelas. Que o ar seja cultuado. Que a vida seja cultivada. Que proibir seja desconhecido. Que eterno seja tudo aquilo que respire e que nada seja sinônimo de tudo e nunca mais o contrário.
Que o vazio seja extinto da cabeça e do coração das pessoas, mesmo que pra isso tudo seja ocupado por nada, porque tudo é vazio.
Tenho certeza que isso é um lugar, que esse lugar existe e que para encontrá-lo a gente só precisa de paz, utopia e tempos não mais modernos.
Faço questão de levar tudo o que preciso dentro da minha cabeça, gosto de sentir que meus passos são guiados pelos meus sonhos, e que eles falam mais alto que tudo aquilo que já acreditei e que já aprendi.
A gente é muito ingênuo quando acredita que o mundo não pode ser mudado. Tudo depende tão simplesmente da gente que parece até piada. Esquecer disso é ser fraco, esquecido e inóspito.
mar 27th 09
Posted by Guilherme Meneghelli in Poesia, Prosa, Sem chão

Van Gogh – Noite Estrelada
Depois da tempestade são as memórias que constroem qualquer tipo de impossível.
Acordei enquanto o céu ainda estrelava e senti em boa parte do vento um vazio, mas que hora carregava uma espécie de liberadade que não se alimenta.
Ao estampar meus olhos no covil vi um cenário épico onde viviam falésias que chocavam-se aos prantos e nem mesmo todo o Pacífico era capaz de acalmá-las.
Olhando naquele pequeno universo abissal, vi meu resto refletir no contorno do céu, nunca havia me sentido tão grande e agora o céu virava o avesso.
O mundo recolhia-se em pó e profecia e colhia tudo de sí, era o início da mais longa tormenta. Plantei palavra no mar e colhi tudo que pude do vento, procurando garantir qualquer indumentária já improvável àquela altura.
Fui levado ao presente com um pensamento inócuo e me tornei desassossego, mas só até aqui.
Eu sei que um dia o Pacífico vencerá e as falésias poderão descansar do tamanho do próprio silêncio e eu vou descobrir que não existe nada que eu ame mais do que aquilo que eu já amei, porque amar não é um verbo infinito, eu acho que amar não será nunca mais um verbo.